quarta-feira, 20 de novembro de 2024

Do mar — 27

A rajada cruza ao largo. Olhos cultivam prantos. Retorno da primavera. Da filha, a recordação dos ventos. Berços rodeados. A manhã nas fendas. Os frios do lago. As plumas flanqueiam. As luzes da aurora. No rosto da terra, as palavras nos lábios. Sopros do outono. Ruínas aladas, as folhas. Sementes no túmulo do bruxo. O inverno se reparte. O espírito de um mestre anima os discípulos. Joga vestígios no lugar do pasto. Perfume dos rebanhos. Os botões de par em par. O cântico goteja nas fontes. As vagas se iluminam. Madeixas fervilham na superfície. Pelos domos, a noite vai se edificar. Vapor de chuvas e fogos. Granizo enorme. O rumor do Mediterrâneo, correntes clássicas. Sob o espinho da flor, a fuga tem sido. Sua hora está aberta. Voos da forma. Ignorantes sobre terra, esgotados de caminhos. A madrugada sonhada. Clarinada de novos terremotos neste chão de vila, de luz a luz, do escravo ao senhor, de vapor a vapor, luar.

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