Diante da selvageria, a vida nada de engenhosa prática. Visões febris. Os círculos de ar. Ao redor da cabeça, sobre os ombros. E as veias se elevam e violam-se. As facas trespassam; as inteligências nervosas no convés, aos pés. Absurda pirataria. Ondas de podridão! A carnagem das sinfonias dos saques. As orquestradas horas do barco ondulado. Almas da posse! Corpo violado troveja em volta. Subjugado aqui, crimes rudes. Depois, a aridez dos calores e as línguas secas. Raízes expostas; falas sufocadas. O olhar de vidro, das luzes cansadas. Poentes manchados, avanços apontados na mancha. Isso não será o giro de uma dança? A garganta na insaciável boca. As enormidades martelam espaçados ganhos. Sob o arcabouço da grade, na luz de numerosos sóis, a morte de madeira. Lá, a trança desses amarelos leprosos; branco gelo da nudez de carcaça. A praia pequena. Os desvendamentos, os gestos, fachos. Corpóreo, vítima de desvendadas mãos. As maternas cisões evolaram-se. O leme da nau sob o corpo armado das mais mortais ausências. Apetite de brevidades e sonhos. Enfim, a criança, o sono, centelha de terra da ilha afortunada. O mar, o mar, o mar e as noites de reflexo. A imobilidade aquática não cansa de enverdecer, lenta e sinuosamente. A lembrança acesa da viagem, sempre à proa, pobre e confusa. Os sóis da antiguidade animaram todas as pedras ardentes. Até que se quebrou a onda, marrando-se de ornadas colunas. Balanços dos mastros antigos. Os pescadores então esquecem: barcos dormem em suas praias. O imperfeito sorriso dura ainda. Ao longe, no amplo peito. O crime expiado, o nervo plástico, e, então, o toque da morfina – transparência adormecida. A erguida lua de dentro da sina, nela e além. O navio escorre e se implanta. A aurora. De fato, a cânfora. Por fora, o sufoco fica no pescoço. Desde sempre, a relíquia sugere a oriental viagem da pena. Já é outra vida e a mesma.
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