quarta-feira, 19 de junho de 2024

Do mar — 5

Mãos desertas. Muitos já sonham vossos olhos. Vácuos e pouco mar. Vossas nascenças. Relâmpagos antiquíssimos. Sereias noturnas, chorosas, longínquas. As algas. Vozes desfeitas e marés crespas? Gáveas. A vaga furiosa! Piratas arrastam chicotes, caudas de cavalos. Dedos, calores, amuradas, tatuagens feitas. Corpos esfolados, submissões para amados. O cutelo canta, carnes antigas. Seus rasgos, os corcéis se movem. Pedaços se espalham. Delírio saia, civilizações nas costas das rendas. Dorme a louca febre. Um sulino vento: albatrozes das rubricas. O longo mastro da névoa. Nas alvuras de luz ligeira, demônios. A neblina, agora, das aves. Há mastros, luas e barcos de cravados sopros. Águas e águas. Tropéis aquáticos! Escrava de óleo, a bruxa dos céus verdes de azuis sonhos. Espumas de orlas brancas, a ilha continental. Os corais, arvoredos em praia, flores do longe. O sonho das formas perde-se nas distâncias. O beijado mérito dura ainda? Em chios de naus, outros fins. O leme tremido. Giro. Aqui corre a cambiante lebre. Lá fora. O arco-íris: prece – a teia e a aranha. A pedra preciosamente escondida. Gravura: da barba ao azul, os matadouros e os circos. Selo da janela. Bichos circundantes. Cristas altas. Calmo apascento, rebanho corpóreo de rio, fúrias carnívoras e o fundo das veias! Aqui chegado, é grito, o barco, todo o mundo arranha, deus a bordo! Severo mastro. Costa pontuada, paquete velado. A costa inóspita, despojada. Traição calma do horror. O ouvir da flauta aos pés de Peneu, Tempe e Pélion. A luz do dia – os Faunos, os Silvanos, os Silenos, as Ninfas – e a onda declara: singra-me tudo e todos às velas.

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