quarta-feira, 12 de junho de 2024

Do mar — 4

A lua antecipa esparsas pazes do rio. A gaivota. A ternura da passagem. Horas matutinas. Fosse ou não, candura. Monte azul. As velas passaram longínquas. Marulho no rio do cais! Águas. A encomenda, outras emoções. Sonhos velhos. Canções pobres. Rejuvenescer de remorso? A vítima não murmura. As excitações. Frescores. O oceano escala soturnamente. Noite enorme. As lágrimas ressurgentes. O grito e o aroma varreram a voz chamada. A partida passa. Vermelho normal. Pontões, navios. Tempestade fria. A mão escarnada, a barba caída. Escutas e olhares. Estás ainda no porto? Promontórios de pouco cuidado. Faróis de sol adiante. O mar e o levante. Ao redor do mastro. Rubores rosas. Menestréis. Peitos forçados. A borrasca tirânica. A surpresa violenta. Perigo! Mastros mergulhados nas sombras. Os inimigos curvados na cabeça das proas evadidas. O mastro alto. Penhas de espectros. Rangem, rosnam, rugem. Albatrozes da cerração às imensidades das paredes d’água. Marinheiros mortos. A porta de janela, as tardes das atenções, as sensações, os nexos. Corpo. Ergue-se rota: escrita, ritmo. Ao lado da nau frondosa, quantas formas da árvore não desenha. Palácios distantes, escadas, jardins, ilhas, pórticos, candeias, encostas, umidades, tanques, rangentes rãs, punhal fechado, deslocamento de cabeças e mundos. Negrumes errantes pousados. Mentores de eras supostas. O guarda do fundo. A areia acaba achando a concha. A mudez é a cor. Pelos cantos, a morte. A arte, o engenho, o saque. O som do rio aflora alto. Terras achadas! Horizonte. Lá se foi a riqueza. Chuvas de cetim.

Nenhum comentário:

Postar um comentário