quarta-feira, 25 de setembro de 2024

Do mar — 19

Criança, não navegando, navega. Relíquia nascente, ainda navega. Dentro da gruta navega outras relíquias mais. Há sempre, dentro do rio, outros rios. Nenhum está sozinho quando navega. Não há lua. Não vá crer (como poderia?) o oceano feito de olhos, ilhotas e manacás. Lascivo mergulho das mãos. Dorso do homem de cristal. No espelho, o grito cumpre o gemido. Aqui, a linguagem anda entre mares, mais ardente na ardência. A imagem escuta imagem: estrangula o beijo. Tu sobes com os mares até os pilares. Aí olhas o abismo. Vento da tua terra. E mostras aos acasos. Escuta, as coisas abrolham no elementar mar, e a lua crê na agonia dentro da fogueira.

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