quarta-feira, 11 de setembro de 2024

Do mar — 17

De um navio, entre flutuações de água, almas vivas, vozes partidas e tremulações. Acorda o dia no porto. Paisagens de encostas e cabos. Solidões de bulício. Cais de negrume feito, refletindo a água de espumas, navios de símbolos errantes. A hora e a cor. Embaralha o cais dos cais anteriores. Disperso o porto dos portos. Chaminés fabris e proximidades. Carvão preto no chão, pequenino, visibilidade absoluta: cais, portos. Este som como o dardo de vidas tão mortas. Aquiles do passo imóvel. Perdeu de vista as almas surgidas. É esse o pé mesmo. Perda da hora. A onda! Ímpeto. O delírio e a grandeza são postos à pele: o manto do sol com os rasgos da pantera, azuladas carnes, devoradas por hidras na absoluta luz como caudas. Traspassavam os livros, liam a vaga. Aos apagamentos. O gosto das formas sucessivas. Tropeçar do metro. O reduzido exílio da separação. O vivido homem das colunas erguidas. As dores numa arca puseram. Em sobressalto e desespero, os luares vetustos do fundo. Numa carta datada e mofada, o conhecimento de pé, a espingarda estendida na quinta. O país e seus vidros nos outros corações, cada um segundo na memória, dilúvios libertos. A pausa, ao subir e descer estas vagas, fica quase branca. Acaso o nome não é água? Nas velas do navio, sonham as flores. E todos os vultos caem em duplo no arpão. Arde a paisagem por dentro, e os organismos transbordantes agem e agarram delírios que em saias andam sobre as rendas. Das profundezas do cruel fardo, abominável coragem, retirado em franzidas almas, reservadas para as ânsias loucas, a relíquia ilegal: o corpo vazio. E entre os fundos, que se abandonam, levanta-se a nau. E a sombra de portos desdobrados arde na alma sem tempo e com todos os dele, indevidamente.

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