quarta-feira, 21 de agosto de 2024

Do mar — 14

A modernidade lenta, engenhada no beijo maquinal. Estrangeiro de madeira, sem educação, estende os pés de vida oca nos mares antigos. Um puro peso conduz a liberdade abaixo das lembranças. Sabedoria viajante: alguns pés das ilhas de morte e os afogamentos contornam as andanças e as falas. Para a vastidão da beleza, a perdição é inconcebível. O barco profundo é travessia só de ida. Águas nos pulmões. Não soam mais os acasos. O apito no rio tremido. Alguns psiquismos, vida de brinquedos. Quilhas velhas. Na ânsia de procurar velas nos mastros. As cordagens devem conter as confusões mais febris. O leme. A roda deve ser tão imaginária que desiste. Queimam os sóis, latejam os tempos! Ao segredo? Os véus, as chamas, os sonos! É a boca, a forma extinta! Eram belezas de céus transfigurados, estranho orgulho impuro, o abandono e o espaço, as nuviosas mortes. E é ainda a tocha! Mais tarde, os olhos da criatura serão menos piedosos. Os sóis, os mares aguardam só a subida, mas a estátua vive de gestos. Certa é a cor do barro. Lá se foi a liberdade – o vosso fundo é. Quê? O coral abafado nos búzios. Sob os lisos dias emerge a surdez do desastre. Ao longe, no mar azul, aos brancos das pedras, já se agitam. Soar o começo, salgo. Abandono das sílabas. Os rios da cidade abrem o nome das coisas. Batidas de palmas. Enfunado navio de palavras. A voragem dos sinos. O carpinteiro em forma de morcego flameja na viga, soltando a gaiola. Em frente, segue a badalada, arrojando a edificação recém-exposta no ombro batido.

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