quarta-feira, 14 de agosto de 2024

Do mar — 13

Dilatação consciente! Quantos êxtases crescentes se deve! Avança o boato. Da cegueira à arruaça, giro. Achava um marinheiro a amizade antiquíssima demais. Alma venenosa, chamando águas. Depois da travessia ligeiramente longínqua, a caverna. A abóbada celeste e as narrações sinistras. Arrasta-se a escuna, uivando a mão curtida. A escuridão da boca. Absurdo marulho, nitidamente sonhado, o volante sacudido e a corrente transmissível do cais. As velas clássicas da literatura. Álvaro de Campos. Que navegação! O teto do pombo, tumba fremida coberta de tombados pinhos. Prolongado o mar. O diamante foi sempre furtiva espuma. Aff! O rio corredio das cavernas: rito solar. Escolheste-me entre mistérios. Mancha rara. As danças sinuosas abandonaram. Ancestral voz. Cautela para sondar milagres. Os saltérios! Os cantos! Os montes! Havia sido cantado pelo mau tempo. Este vento criou o sussurro dos búzios e o silêncio o dispersou nos cabos. Os balanços, os pressentimentos! O barco quando menos se espera; os poemas surgem vermelhos num só teto. Um fado de mesmices acima das ruas, as calçadas e casas apartando o sótão, caindo feito terra da embarcação. Outros júbilos nas novas. Atracar! Atracar! Retorna o erro da cisma. Vai, naval evocação, amplia a crônica. As camonianas lutas e a sulina ressurreição. Livro ocidental. As linhas da pauta, correnteza dupla, enquanto a flauta orna os trinados da infausta nota. Fachadas longínquas, libertando os ardentes nômades. Refúgios do livro. E agora terá fim e maré!

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