quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

Do mar — 36

Debaixo do chicote a fustigar a aventura. Coberto por peles, estraçalhado por pregos. Em frente às flâmulas, os ossos, mastro fustigado, pela latitude dos arremessos, pelo sangue ao redor das águas. De lado a lado. Afirmas todos os nomes. Distinto exílio. Na proa. Na ilha. No caudal longínquo da praia. Deserta é a travessia. Quem pode ter como flor o limão? O ninguém a falar o enevoado odor. Setas pairando no ar. Luares dobrados. E assim caminha para a porta noturna, arfante e choras. Horas em casa pisada. O sal da forma. A chama não possuías. Vibração de canto. A linguagem, o abano, mensagem na asa do leque. Novembro era o começo. A tempestade moída. Os molinetes! As luzes! Desastre. Os portos estranham os ventos.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

Do mar — 35

Bebe um pouco de crueldade, um pouco, e sente o corpo abominável, delicadeza de nervos. Subsiste, lá, ferido, rasgado. Foste lá debaixo do cuspe. Nenhuma lonjura por mudar. Serena ao largo da ilha. O bosque! Aquele ilhado encanto. Finita torre de inegável crime. A vida aí depõe teu caminho. Alguém sangra e se afoga mansamente. Muros brancos sob a patada da noite. Acaricias e empresta os leões. Em vagas luzes.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Do mar — 34

O suor toma conta das rugas. Despe-te agora, anda. Teus vestidos no espelho; sacode os passos ao levantar poeira. Estás no mar? No interior da metade, a espora e a rédea do cavalo! Nesta cidade, os mortos. Envolvidos no freio da rédea, flagras o deserto que solta os astros lá por cima. Suspirosa ruína cantada. Vento cantante. As flores do limite. Abres antes do último ritmo. Dia dos horizontes quando te banhas. Espólio de sítio fornece as taças e os licores. Acéticos ermitões inclinados. Nem tudo o mastro hasteia. Pintaram de rubras carnes as bandeiras. O navio na brisa inflamada. A faina do costado posta. O ouro das agruras. Ilhadas lagoas. E poucas manhãs tiram da trilha as cabras. No corredor cavernoso daquele caramanchão, os gamos já saltavam. Heras. Cabeças d’água. Sonhas o jardim.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

Do mar — 33

Está correto? Será? No volante acelerado, sacudida está a nitidez. Após o chamamento, realizavam-se as épocas. Músculos profundamente esverdeados. Incorruptíveis e caóticos, os braços tumultuam. Ordenação bailarina dos navios. Teus cavalos sacolejam. Crinas, tuas crinas! Criaste para ti um povo. Tu és a cor que se desprendeu da cor. Antiguidade mais noturna. Estás sem palavras. Qual manto te dispôs? Na parede derruba-se a estátua. Porcelanada, deita-se, assim, aquela nuvem. As esmeraldas se enfastiam no junco. Os cílios se tocam em mudas páginas. Os silêncios ancorados de raro tédio. Os lenços do mastro. Amolas para ti o punhal. Aguçada arma. O sangue escolhe a lâmina. O leme. Há de declinar o dia de estar triste, ainda e ainda.