segunda-feira, 4 de maio de 2026

Noite nanquim — 68

    Fole de poesias rupestres. O realismo com inscrições do não. A poesia cósmica no pulmão. Raios à beira-fôlego na última acupuntura da língua. Orbito com os corvos da morte sobre os portões do mundo, bruxuleando corpos manchados de palavras. Que encontro de olhares selará nossos lampejos? Esta voz! Há em mim. Encontro-me no ato desconhecido. Lema de horror inconcebível e imperceptível. As trocas entre esse céu semeado de vozes. O pensamento, as mãos e os restos do abismo. Possa eu, dessas manchas vivas, dessas marcas de gestos que estão sobre meus braços em abandono, dessas loucuras que subsistem nas inércias obscuras da minha mão, nos meus olhos, e desses vigores que renascem nos meus poros, possa eu, nas curvas desses rodeios, dessas falas tão chãs e mal apaziguadas, fazer algo tão estrangeiro e tão reflexivo ao movimento leve dessas luzes separadas.

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