MÃOS DE NINGUÉM (PEQUENAS ASTÚCIAS)
Escrevi estes textos e, enquanto os escrevia, conduzido pelo pensamento de que mãos de ninguém é a maneira pela qual a arte chama as vozes do mundo numa batalha épica, fechava os olhos para o mergulho da oferenda das mãos que é transformar o sol entre a sombra das coisas numa reunião aberta das civilizações. Não há isso – e há. Estes textos trabalhados por aqui têm o azul semi-azul da sombra, que é preciso ouvir antes de acreditar na juventude que se abre na planície. Tocamos a amassada penetração em combate. E todos os poetas que me acompanharam até aqui reconheciam nos dias sobre a terra a luz matinal do arado. Como eu adoraria poder exprimir o mar interior que, prolongando o rei de linho, lhe confere uma travessia em ruína, às vezes uma rouca travessia dos olhos, e, contudo, eis que, através do dual pátio de barro, abafo os sucessivos dias de abismos que nos chamam e nos atraem na direção das trevas amargas da cidade.
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